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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Meu amado imortal

Não faço idéia se já homenageei um dos meus adorados mestres dos clássicos, e que teve uma vida angustiada muito pior que a minha (olha que dificilmente alguém consegue me superar em infelicidade, rejeição, injustiça e perseguições, assim como em amores platônicos). Então, usando o já gasto bordão, mas que ainda like, senta que lá vem a história, traduzida do alemão por minha boa amiga Lotte, sublinharei as partes mais pitorescas para os preguiçosos que aqui surgirem tornando mais divertido:

Beethoven foi batizado em 17 de Dezembro de 1770, tendo nascido presumivelmente no dia anterior na Renânia do Norte (Alemanha). Sua família era de origem flamenga, seu avó Ludwig, de quem herdou o nome, nasceu na Antuérpia em 1712, e emigrou para Bonn. Descendia de artistas, pintores e escultores. Era músico e foi nomeado regente da Capela arcebispal na corte de Colônia (Köln em língua alemã). Na mesma capela o pai de Ludwig, era tenor e também lecionava. Foi dele que Beethoven recebeu as suas primeiras lições de música. Devido a sua tez morena e cabelos muito negros era chamado de "o espanhol".


A mãe de Beethoven, Maria Magdalena Kewerich (1746-1787), era filha do chefe das cozinhas do príncipes da Renânia. Casou-se duas vezes. O primeiro marido foi Johann Leym (1733-1765), viúva, casou-se com Johann van Beethoven (1740-1792), músico alcoólatra. Tiveram sete filhos: o primeiro Ludwig Maria que nasceu e morreu no ano de 1769; o segundo Ludwig van Beethoven (1770-1827), o compositor, que morreu com 56 anos; o terceiro Caspar Anton Carl van Beethoven (1774-1815) que também tinha dotes para a Música e que morreu com 41 anos; o quarto Nicolaus Johann van Beethoven (1776-1848), que se tornou muito rico, graças à indústria farmacêutica, e que morreu com 72 anos; a quinta Anna Maria, que nasceu e morreu em 1779; o sexto Franz Georg (1781-1783), que morreu com dois anos de idade; e a sétima Maria Magdalena (1786-1787), que morreu com apenas um ano de idade. Portanto, Beethoven – que foi o terceiro filho da sua mãe e o segundo do seu pai – teve sete irmãos, cinco dos quais morreram na infância. Quanto aos irmãos vivos, Beethoven foi o primeiro, Caspar foi o segundo e Nicolaus o terceiro.


Ludwig nunca teve estudos muito aprofundados mas sempre revelou um talento exepcional para a música. Com apenas nove anos de idade foi confiado a Christian Gottlob Neefe (1748-1798) que lhe deu a conhecer os grandes mestres alemães da música. Compôs as suas primeiras peças aos onze anos. Os seus progressos são de tal forma notáveis que 1784 já era segundo organista da capela do Eleitor. Pouco tempo depois é violoncelista na orquestra da corte. Em 1787 é enviado para Viena para estudar com Joseph Haydn onde este o apresentou a Wolfgang Amadeus Mozart, que viu o talento prodigioso de Beethoven e proferiu a célebre frase "Não o percam de vista, um dia há de dar que falar".


Tinha como hábito despejar água gelada sobre a cabeça sob o pretexto de que isso estimulava o cérebro. E deixar o pinico embaixo do piano, e não da cama, como era usual na época em que viveu.

Em 1792, muda-se para Viena, e, afora algumas poucas viagens, permaneceria lá para o resto da vida. Durante os anos 1790, firma uma sólida reputação como pianista virtuose e compõe suas primeiras obras-primas: Três Sonatas para piano Op.2 (1795), Concerto para Piano No.1 em Dó maior Op.15 (1795), Sonata No.8 em Dó menor Op.13 [Sonata Patética] (1798), Seis Quartetos de cordas Op.18 (1800).

Em 2 de Abril de 1800 sua Sinfonia Nº1 em Dó maior Op.21 estréia em Viena, mas no ano seguinte ele confessa aos amigos que não estava satisfeito com o que tinha composto até então e que havia decidido seguir “um novo caminho”.
Pelos seus 24 anos (1794), Beethoven sentiu os primeiros indícios de surdez. Consultou vários médicos, inclusive o médico da corte de Viena, fez curativos, realizou balneoterapia, usou cornetas acústicas, mudou de ares, mas os seus ouvidos permaneciam enrolhados. Desesperado, entrou em profunda crise depressiva e pensou em suicidar-se. Em 1802, escreve o seu testamento aos seus dois irmãos vivos Karl e Johann: é o «Testamento de Heilingenstadt». Dentre seus problemas de saúde, ficou com o rosto marcado pela varíola.

Embora tenha feito muitas tentativas para tratá-la durante os anos seguintes, a doença continuou a progredir e, aos 46 anos (1816), estava praticamente surdo. Porém, ao contrário do que muitos pensam, Beethoven jamais perdeu toda a audição, muito embora não tivesse mais, em seus últimos anos, condições de acompanhar uma apresentação musical ou de perceber nuances timbrísticas. Em sua obra 'Uma Nova História da Música', Otto Maria Carpeaux afirma que Beethoven assistiu à primeira apresentação pública da sua 9ª Sinfonia (ao lado de Umlauf, que a regeu, como ficou registrado por Schindler e mais tarde por Grove), mas abstraído na leitura da partitura, não pôde perceber que estava sendo ovacionado até que Umlauf tocando seu braço, voltou sua atenção a sala, e Beethoven se inclinou diante do público que o aplaudia. De 1816 até 1827, ano da sua morte, ainda conseguiu compor cerca de 44 obras musicais.

Em 1803 Beethoven começa a trilhar aquele “novo caminho” com a Sinfonia nº 3 em Mi bemol maior Op.55 [Eroica], uma obra sem precedentes na história da música sinfônica, considerada o início do período Romântico na Música Erudita. Os anos seguintes à Eroica foram de extraordinária fertilidade criativa e viram surgir numerosas obras-primas: Sonata nº 21 em Dó maior Op.53 [Waldstein] (1804), Sonata nº 23 em Fá menor Op.57 [Appassionata] (1805), Sinfonia No.4 em Si bemol maior Op.60 (1806), Três Quartetos de cordas Op.59 [Rasumovsky] (1806), Sinfonia No.5 em Dó menor Op.67 (1808), Sinfonia nº 6 em Fá maior Op.68 [Pastoral] (1808), Concerto para Piano nº 4 em Sol maior Op.58 (1807), Concerto para Violino em Ré maior Op.61 (1806), Concerto para Piano nº 5 em Mi bemol maior Op.73 [Imperador] (1809), Quarteto em Fá menor op.95 [Serioso] (1811), Sinfonia nº 7 em Lá maior Op.92 (1812), Sinfonia nº 8 em Fá maior (1812), e a primeira versão da única ópera de Beethoven, Fidelio (a versão definitiva é de 1814).


Beethoven musicou a Abertura de Egmont, escrito por Goethe.


Depois de 1812, a surdez progressiva aliada à perda das esperanças matrimoniais e problemas com a custódia do sobrinho o levaram a uma crise criativa que faria com que durante esses anos ele escrevesse poucas obras importantes.


A partir de 1818 Beethoven, aparentemente recuperado, passou a compor mais lentamente, mas com um vigor renovado. Surgem então algumas de suas maiores obras: Sonata nº 29 em Si bemol maior op.106 [Hammerklavier] (1818), Sonata nº 30 em Mi maior Op.109, Sonata nº 31 em Lá bemol maior Op.110 (1822), Sonata nº 32 em Dó menor Op.111 (1822), Variações Diabelli Op.120 (1823), Missa Solemnis Op.123 (1823). A culminância desses anos foi a Sinfonia nº 9 em Ré menor Op.125 (1824), para muitos a sua obra-prima. Pela primeira vez é inserido um coral num movimento de uma sinfonia. O texto é uma adaptação do poema de Schiller “Ode à Alegria”, feita pelo próprio Beethoven.


Os anos finais de Beethoven foram dedicados quase que exclusivamente à composição de quartetos de cordas. Foi nesse meio que ele produziu algumas de suas mais profundas e visionárias obras: Quarteto em Mi bemol maior Op.127 (1825), Quarteto em Lá menor Op.132 (1825), Quarteto em Si bemol maior Op.130 (1826), Grande Fuga Op.133 (1826), Quarteto em Dó sustenido menor Op.131 (1826) e Quarteto em Fá maior Op.135 (1826). Sua influência na história da música foi imensa. Ao morrer em 26 de Março de 1827 estava trabalhando supostamente em uma décima Sinfonia. A suspeita vem por causa de varios "S" escritos como identificação nas partituras encontradas. Conta-se que cerca de dez mil pessoas compareceram ao seu funeral. Entre os presentes, Franz Schubert.

Provavelmente vocês hão de se perguntar: porque a tia, apesar de bipolar, hoje veio com o Beethoven - é porque fiz um teste que me disse que meu gênio louco era, nada mais, nada menos que ele!

sábado, 17 de outubro de 2009

Mozart, o primeiro punk rocker nos clássicos!




Leopold Mozart foi um abençoado que teve o maior de todos os filhos: Wolfgang Amadeus Mozart, que como bom contestador era genial. Já desde o nascimento, tendo manifestado sua incrível facilidade para tocar e compar desde muito pequeno. As biografias o descrevem como uma criança lindíssima, com cabelinhos muito louros, olhinhos azuis cintilantes e um sorriso cativante, numa época em que a criança apenas tinha o direito de ficar de cabeça baixa e quieta.



O rapazinho Mozart encatava as cortes com sua genialidade e o que mais intriga os pesquisadores até hoje é o fato de, quando compunha, ele rapidamente anotava na pauta as notas e jamais errava, jamais corrigia.  Até aí estava tudo bem e se desculpava o fato de este menininho do imério austro-húngaro ter uma alma italiana, sendo instantâneo (minha palavra para a espontâneidade italiana, qualidade que conheço bem), intempestivo e passional como aquele povo maravilhoso e capaz de ser tão ágil desde a cozinha até a maior sofisticação.



Nesta foto, encarnado por Tom Hulce no filme Amadeus.

Porém, tamanha genialidade provocou uma inveja e um ódio eternos nos músicos contemporâneos, que tinham que agir muito diferente das celebridades barraqueiras de hoje, como múmias, sempre com a fisionimia austera e cheios de protocolo, enquanto Mozart se regalava com mulheres, noitadas e bebida.
Seu pai, que ele amava muito, sempre tentava corrigir esta natureza alegre e cigana antes que isso lhe causasse problemas, mas, como primeiro bom aborrescente, criador da envelhecência (fase após os 25 em que muitos continuam a querer continuar "curtir a vida adoidado"  entre os quais me incluo), ele continuava a aproveitar cada minuto como se fosse o último.
Não mencionarei aqui o nome de seus detratores, que ainda queimam, senão torram no mármore do inferno. Que sejam esquecidos pela posteridade e defenestrados na próxima deleção espiritual em massa. Mas um complô o derrubou denunciando seu lado humano e o transformou numa pessoa de recursos incrívelmente modestos.
Mesmo assim, Mozart continuava a compor suas incríveis sinfonias, operetas, sonatas, cada vez mais maravilhosas, ricas e geniais para desespero de seus muitos inimigos, que não podiam ver ninguém feliz.
O golpe maior que o afundou numa depressão foi a perda de seu pai.



A partir daí os maléficos perseguidores conseguiram torturá-lo até que ele morreu, prematuramente, aos 36 anos, não sem antes nos deixar "A flauta mágica".
A rainha da lua


Papageno


Sarastro and Pamina

O herói rumo a sua jornada interior


Neste trabalho está sintetizada toda a crença das fraternidades secretas (tem hora que eu acho que foi por isso que ele desencarnou, após uma penumonia, mas tudo bem).





Não sem antes terminar a composição de um requiem (música fúnebre) que um dos seus inimigos comprou para mostrar como sua em homenagem a morte do meu tão adorado compositor.
Em troca de tamanha ingratidão, a terra foi presenteada com as mais incríveis músicas. Ao contrário das outras músicas clássicas (muitas maravilhosas, claro, eu as adoro) tinha vivacidade, alegria e movimento.

Em julho deste ano, lançaram uma música inédita para alegria dos que começam a sorrir ao primeiro acorde um celular tocando a K40. (É um número do enviado de Deus, Köerchel, que catalogou suas mais de 700 composições).

Este será, provavelmente, o último presente que a terra recebe às vésperas do choque das placas tectônicas, tempestade espacial e consequências (perdeu o acento?) do efeito estufa.


Minha paixão por Mozart veio do mundo espiritual: desde muito pequena, uns 3 anos mais ou menos, cantarolava algumas musiquinhas (nasci cantando) que ninguém tinha idéia de onde tirei. Um dia, uma parente foi a uma solenidade e qual não foi a sua surpresa ao ouvir as músicas: eram de Mozart!