
Neste dia, sempre que é possível, gosto de ir ao cemitério, e como estou milhas de distancia de onde estão os ''aqui jaz'' dos meus entes queridos, já antepassados, escolho um cemitério mais calmo (o que é meio difícil nesta data, mesmo em cidade pequena) e ali no cruzeiro faço meu agradecimento e depois ando por ali, filosofando, viajando mesmo em passadas maioneses, lendo lápides, olhando fotos de porcelana antigas e outras lembranças de tantas vidas, amores, ódios, sofrimentos que ali descansam eternamente.

Claro que todo este mórbido passeio que para mim é divertido e extremamente cultural (!só eu mesma! Cheguei a ter uma coleção de fotos das obras de arte do cemitério da consolação, copiadas por meus alunos góticos.) também traz algumas lembranças da vida passada - sim, porque caso o ocasional leitor não saiba, já morri e voltei duas vezes. Por isso comecei a última vida nova beeeemm loooonnnggeeee de tudo que não prestava. Minha única motivação: uma criança que protejo como uma leoa!

Voltando, porém, as reflexões insanas e viajantes: fico ali olhando e pensando no quanto uma vida é enganadora: os meus queridos
antepassados me ensinaram - e o pior foi eu ter aprendido - que se você for sempre sincero, verdadeiro mesmo, fizer aquilo que sua consciência mandar, vai receber de volta o melhor. Aí, depois que pisam, deitam e rolam, a pessoa morre e correm fazer estátuas, colocar lápides, escrever palavras que na verdade não significam nada de verdade, para posarem diante da opinião de estranhos. Para fingirem que sempre valorizaram, retribuíram, e etc.. Agora, aqui do alto da última temporada, vejo quanto estávamos todos enganados, que até mesmo o nosso amado senhor Jesus Cristo se enganou. Não é possível a pessoa te devolver o que ela não tem dentro de si.
O mal não é culpa dos maus: é culpa da nossa ingenuidade. 
O mundo material e o comercial das lojas estão aí a cada segundo enchendo a cabeça vazia da maioria. E vão todos de arrasto,
hoje as letras estão tão mortas quanto aquelas pessoas embaixo das lápides. As letras que foram
criadas para o registro dos sentimentos. Ninguém mais lê, escreve, interage. Hoje é só o sexo rápido e solitário no msn com uma foto copiada de site europeu que empolga e tomou o lugar da troca afetiva. E isto não é culpa de ninguém. ainda bem que o mundo evoluiu. Ainda bem que não vou morrer levando para a eternidade ''amores desperdiçados''. Ilusões de amizades que era apenas um crediário. E que não justifica uma ação em empresa de cobranças judiciais. Volto a eternidade quando acabar esta última temporada como cheguei aqui: levando só eu - e Deus. Isso dá uma sensação enorme de plenitude e paz.