segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Bem vindos a minha vida: Filme: Parente... é Serpente (Parenti Serpenti) - 1992



Enriquecendo esta nunca tão atual situação:

16/08/2010 - por Luciana Mussi na categoria 'Artigos'

“Parente é Serpente”. O Ponto de vista psicológico


Sinopse do filme “Parenti Serpenti, Itália, 1993. Diretor Mario Monicelli: Parente e Serpente1A ceia de Natal está pronta. A família Colapietro irradia paz e tranquilidade. A casa paterna se enche de risos, gritinhos de crianças, muitas lembranças em comum, muitos segredinhos, histórias picantes e fofocas para trocar. Antecipando as delícias da mesa, todos esperam o momento de começar a mais esperada comemoração do ano. Então, a matriarca da família anuncia que ela e o marido estão muito velhos para continuarem vivendo sozinhos e decidiram ir morar com um de seus filhos ou filhas. É claro que ninguém quer ficar com os velhos, e a festa ameaça virar uma autêntica batalha entre irmãos, todos ansiosos para se livrarem da incômoda responsabilidade.

Num encontro para a Ceia de Natal, uma típica família italiana deixaParente e Serpente2emergir um verdadeiro acerto de contas emocional, onde temas como o humor negro e ferino, solidão, velhice, homossexualismo e relações familiares são expostos na sua forma mais crua e quase inacreditável.

Cena1: o filme começa narrado por um garoto (mais parece uma redação escolar) que descreve as cenas familiares com seus conflitos e contradições de modo perplexo e inocente. A narração se dá ao longo do filme até o final.

As famílias nuclear (pai, mãe, filhos) e extensa (família de origem – avós) são retratadas pelo menino de forma ingênua, as características dos personagens são descritas como ele as vê e sente, ou seja, sem censura, restrições ou preconceitos.

Os papéis e funções são classicamente representados.

Observa-se que os ciclos de vida familiar seguiram seu curso, seus momentos, apesar de ficar descrito para nós no filme apenas a questão do envelhecimento, da morte dos pais e o próprio envelhecimento, sendo esta a questão central a ser discutida.

Cena2: todos os membros da família chegam para a ceia de Natal preparada pela matriarca - a irmã hipocondríaca e intrometida, acompanhada pelo marido e filho que nos conta a história, a outra irmã frustrada por não ter tido filhos, o irmão que vem acompanhado da esposa esnobe e sofisticada e por fim o irmão solteiro.

Nesta cena o que se vê é uma situação de homeostase, onde a retroalimentação é negativa porque é a “não mudança” que força o padrão para assim garantir o equilíbrio.

Quando os assuntos de conflito em potencial surgem - quando a matriarca fala da impossibilidade da filha de não poder gerar filhos, ou dos problemas de saúde imaginários da outra filha - eles imediatamente são evitados, isto ocorre para que o equilíbrio seja mantido, já que uma mudança poderá reverberar no sistema inteiro.

Durante o jantar a forma de comunicação que vai prevalecer é a mensagem analógica (expressão corporal e tom de voz) com um padrão de interação complementar, ou seja, uma comunicação patológica de complementaridade rígida onde há a presença de desconfirmação - a irmã hipocondríaca com um marido submisso, o irmão submisso com uma mulher dominadora e autoritária, a matriarca que impõe as regras e um marido que as aceita sem questionamento. Os dois pólos da relação estão continuamente se desconfirmando como quando a mãe diz para a filha não comer chocolate porque ela está gorda e minutos depois quando estão falamos algo que a menina não pode ouvir, a mãe diz para ela ir comer chocolate.

Novamente nas relações entre as irmãs e a cunhada, existe uma desintonia: as irmãs rejeitam a cunhada todas as vezes em que ela faz uma colocação, uma interferência qualquer, as irmãs a tratam como uma figura fútil e vulgar, mas a cunhada não se vê assim e isto ocorre de forma constante.

Também no diálogo entre os cônjuges a Pontuação de uma seqüência de eventos fica evidente: um hostiliza e o outro retrai e esta seqüência de estímulo resposta é reforçada.

A comunicação patológica associada é por discordância de pontuação por diferença de informação: os desentendimentos entre os elementos da família não se esclarecem, os dois lados são como pólos opostos que não tem as mesmas informações.

Cena3: quando a matriarca da família anuncia que ela e o marido estão muito velhos para continuarem morando sozinhos e decidiram ir morar com um dos filhos. É claro que ninguém quer morar com os velhos e a festa acaba por virar uma autêntica batalha entre irmãos, todos querendo se livrar da responsabilidade.

No início os filhos apóiam, dizendo que, de fato, eles precisam sair mais. Mas ao perceberam o que na verdade estava acontecendo, o cenário muda completamente, o silêncio reina no ambiente, as palavras não são mais encontradas, e o vazio se estabelece na medida em que nem tudo pode ser dito: muitos segredos, mágoas e ressentimentos estão guardados e prontos para saírem das profundezas.

Ocorre a homeorese (destruição do sistema, caos). O padrão de funcionamento é mantido pelos segredos, mágoas e ressentimentos. Se ele for quebrado mexe com todos os elementos. Por isso se opta pelo silêncio, porque o medo é muito grande.

Existe impermeabilização, duplo vínculo e desconfirmação.

Cena4: No jogo do empurra-empurra entre os irmãos, de quem vai ficam com os pais, todo conteúdo mantido a sete chaves aparece: a homossexualidade do irmão, a dependência da irmã hipocondríaca da família de origem (quando os pais ficam doentes é ela quem socorre, mas não faz isto por vontade e sim pelo vínculo rígido), a fragilidade da irmã que não pode ter filhos, a traição dos cunhados, a submissão do marido que aceita a traição.

Cena5: Os irmãos reunidos na festa de ano novo ouvem na televisão a notícia de uma estufa de gás que explodiu matando todos na casa. Como é inverno, quem sabe... e neste momento em que as palavras não são ditas, apenas circulam olhares, brota a idéia: presentear os pais com uma estufa de gás.

Afinal é necessário entrar em morfogênese, estabelecer um novo equilíbrio, mudar o padrão, não importa o que precise ser feito (mesmo que seja incendiar os pais).

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

OS 10 MANDAMENTOS DO REI DO BOTECO

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Prosa Curitibana 17- Fábio Elias da Banda Relespública -26/09/13

Orgulhosamente apresentando:


http://www.youtube.com/v/wecze0yjuMM?autohide=1&version=3&autoplay=1&attribution_tag=A7de8OCwH2jjgSkhDlBrJQ&showinfo=1&feature=share&autohide=1

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Um lugar chamado Woodstock, do Walcir

Eu nem sei bem como começar a falar de uma lenda como o Walcir e de um lugar como foi a Woodstock the rock shop. Um lugar pro rock e para o rock muito antes de invetarem galerias da moda e derivados. Era dali pra banca do Mingrone, a única que vendia material de bandas, e voltar.

Começarei com esta imagem, de um dia de sol, numa cidade que era fria e chuvosa, onde passávamos os sábados de manhã, apesar de que nem sempre foi assim. No começo era o verbo e a loja da Rua José Bonifácio.

Nunca entendi como a polícia nunca perturbou a gente ali. A não ser quando tinha uma briga mais séria com ataques de carecas do ABC. Numa época em que o vídeo cassete era uma fortuna (em plena ditadura da fome) e só os mais abonados o possuíam, Walcir tinha a generosidade de nos exibir os shows dos quais só ouvíamos contar histórias, que geraram lendas maiores que as do Rei Arthur como a da peruca do Marky Ramone e do Ozzy ter comido morcego e estranhamente não ter contraído hidrofobia, o que seria ótimo assim não criaria o fake metal.
Ele teve também um programa de rádio, que todos nós gravávamos no domingo à noite chamado Comando Metal. Sendo as rádio rocks do início dos anos 80 um eufemismo, e tocando na sua maioria carioquismos da som Livre à título de rock, seu programa era a única coisa que honrava o nome da rádio. Ali na frente da woodstock, vivendo uma realidade hoje banal para os jovens, mas combatida a bala e foice na época, nós encontrávamos pessoas que pensavam como nós, que diziam acreditar em mudar o mundo para uma sociedade mais equalitária, e uma séria de sonhos que só eu e mais uns dois ou três realmente acreditamos e cultivamos até hoje. Pessoas que fizeram parte da nossa vida e com quem tínhamos uma convivência primeiro diária, depois semanal, mais tarde mensal e ocasional, até que todos fomos levados pela vida para vários cantos do mundo e dos planos espirituais, alguns para o Olympus. 
Ele foi pioneiro em trazer ao Brasil centenas de bandas, mas o que mais me marcou foi a vinda dos meus ídolos máximos, os Ramones. De tanto eu encher o saco na loja, ele os trouxe até mesmo lá para uma tarde de autógrafos que já contei aqui em alguma postagem, destas que faço quando preciso me encher de força para enfrentar a vida e vê-la passar cada vez mais devagar
.
Sempre simpático, sempre educado, amigo, posso dizer, voltei lá uma vez após quase 10 anos e ele me sorriu pois se lembrava de mim. Ao contrário de mais de duas mil pessoas com as quais vive, levei pra morar em casa quando expulsas, ajudei e acolhi.
Não posso falar nele, naquela loja e em seu espaço imenso que poderia até ser chamado de ''Um lugar do Caralho'' não fosse o racismo dos gaúchos. Tinha o irmão do Walcir, tinha o Chico, que hoje mora nos US e é um importante músico de Jazz, tinha o Tio, que ficava na porta, e todos nós o amávamos, ele pode ser visto neste vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=9-NfZWl61R4
Ali muita gente conheceu o Metal, o Venon, o Iron Maiden, e ídolos das mais diversas eras do rock, do metal e punk e assim por diante. Foi uma época de muito sonho, muita luta, muito som, muita novidade. Hoje parece que tudo é só mais do mesmo. Nada de diferente ou original. Nós criamos os original. O novo, o ousado. Os anônimos que ficavam ali cozinhando dentro das roupas pretas ou se molhando nas manhãs de chuva, como quem se reune numa congregação. Nós realmente acreditávamos em mudança, no novo e num futuro, mas quem acertou foi o Sex Pistols - no future for you.
Sempre procuro no meu coração anônimo um pouco daquela força que juntos nós tínhamos.
Ali nasceram bandas que ganharam o mundo, pessoas que saíram da favela direto para apresentador de programa de TV, e tantas outras mágicas que um ou outro conseguem realizar. Dali saíram músicos incríveis, artistas gráficos cheios de talento e pessoas que atuariam nas mais diversas áreas, algumas fazendo uma enorme diferença.
Hoje ele re-inaugurou a loja! Muitos compareceram para homenagear não só sua ousadia e pioneirismo mas a pessoa revolucionária que já foram. Eu não estava lá em corpo presente porque o destino me exilou aqui into the wild. Mas um pedaço do meu coração ficou lá. Talvez você tropece nele no chão se passar ali em frente. Acho que na minha cremação que já caminha à passos largos, pedirei pra jogarem um pouco das minhas cinzas lá.