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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O misterioso desaparecimento de José Zinerman

Falar do NOG, como era chamado carinhosamente nos tempos em que tive a felicidade de me reunir periodicamente com ele, José Salles, Cecília Fidelli, Laerçon e companhia, seria uma puxação de saco sem fim, por isso clonei o artigo da primeira enciclopédia de fanzines


na qual alguns não figuram porque seu autor, quando contatado por nossos amigos e parceiros de fanzine - desesperados por holofotes da fama do qual se julgam merecedores; não mencionaram que existia muito mais que suas obras de arte davicianas e filosóficas e críticas tanto quanto as de Marx e Engels.
Mesmo assim, por um vacilo incrível do destino, lá está o irriquieto e genial NOG, que desde os anos 70, quando era chamado de Cidinho pelos amigos do Made in Brazil (banda pioneira do rock nacional), já criava seus poemas, roteiros, desenhava e além disso era tremendamente carismático, mesmo com uma história pessoal tão trágica que só empataria com a minha que é a pior de todas de todos os tempos. Tive a honra de participar com ele de alguns filmes B do Salles (além de escritora, fui atriz de teatro amador e filmes thrash paulistanos), quando nos divertimos imensamente, num deles até a Cecília e o Laerçon foram.


Leiam:

É escritor, poeta, criador de personagens (“Bangerlongo”, “Dick and Pussy” e “As Camisinhas Falantes”) e o primeiro fanzinista a editar em fita cassete e VHS.



Foi por volta de 1977 que começou a ver que os fanzines é a mais democrática forma de expressão. E, como não podera deixar de ser, desde então, tem publicado suas idéias e as de alguns amigos e colaboradores, desde as suas variadas influências musicais à mais contundente crônica do cotidiano.


Nasceram, em parceria com Sílvio Passos: Outlaws (Fora-da-Lei), Demon & Wizards (homenagem à banda “Uriah Heep”), Pirata (microjornal) e Newspop (década de 1970); Metamorfose, com Sílvio Passos (publicação oficial do “Raul Rock Club”, fã-clube de Raul seixas), na década de 1980; Johnny B. Good Zine, Banger B. Good Especial (com uma HQ da personagem “Bangerlongo” - espelho da mutável personalidade humana, cujas formas e estilos que encarnava de pessoas queridas eram uma homenagem à genialidade e à loucura de cada um), o consagrado Delírio-Cotidiano Zine (quase três dúzias de edições), Na Veia, Sem Anestesia Zine (os números 16 e 17 foram editados num único fanzine, com duas capas), Rock-On Zine, Blues Press, Delírio-Áudio-Zine (em fita cassete), contendo entrevistas, divulgação de espetáculos, lançamentos diversos, zines, demos etc., Arquivo Geral Vídeo Zine (em VHS, relançado em 2001), na década de 1990; Dick and Pussy HQ Zine, Rima Negras e Poeróticas, com Eduardo Manzano, Heavy Metal, com Reginaldo Leme, na década de 2000.


Editor compulsivo, já participou de dezenas de fanzines de terceiros, como: Marsupial, Boca Suja, Lady of Me Flowers, Tom Zine, Informativo Cultural Pop e Anta Comics, além dos curtas-metragens: “Maconheiros” (40 min.) e “Os Reacionários” (40 min.), de “Daddy Inc. S/A.


Foi editor de Blues & Rhythms Magazines (Editora Abraxas, 1996). Na sua incansável luta pelos caminhos fanzinísticos, foi um dos organizadores da “II Mostra Internacional de Fanzines”, na Livraria Futuro Infinito, de São Paulo-SP, em no mês de julho de 2000.


É, também, conhecido como Zinerman.

Fica registrada aqui a eterna lembrança do meu querido amigo José Aparecido Nogueira, do qual há muito não temos qualquer notícia. Lembro de um episódio em que mesmo à distância gerou incríveis gargalhadas: eu me mudei de São Paulo para uma cidade pequena e bem isolada não só geográfica mas culturalmente do resto da humanidade. Ali pra acabar de endireitar, ainda escolhi uma casa na região metropolitana, num matão de meu Deus, mesmo a 5 minutos do centro da capital daquele estado. NOG me mandou a famosa carta social, que usávamos no tempo do zine e com os e-mails engatinhando, eu tinha mas a maioria não queria nem ouvir falar em internet. Esta carta levava um selo de um centavo devidamente lambuzado de cola. O gerente do correio me mandou uma intimação para comparecimento e me deixou abaixo de cocô de cahorro do bandido dizendo que não ia admitir uma pessoa como eu utilizando o sagrado serviço postal brasileiro para tais fins. E como eu rasguei o verbo ciando a legislação (ele não sabia do esquema da cola pra reaproveitamento por pura molecagem) ameaçou me mandar para a cadeia da delegacia local. Aí é que veio o inusitado: como não havia cela, construiram uma espécie de jaula onde os detidos ficavam. E eu quase ia parar lá por amor ao  amigo amissíssimo NOG!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Cecília Fidelli: talento, garra e poesia

continuação da saga: fanzines, os excluídos


QUE BOM QUE O AMOR NUNCA ACABA.



É SÓ TORCER O SENTIMENTO,



QUE AINDA SAI MUITA LÁGRIMA.



 

Você confundiu com Cecília Meirelles. E ninguém neste mundo é mais digna de tal confusão. No meu tempo de fanzine tive a hora e o privilégio de conhecê-la e de receber sempre suas cartas amigas, seus poemas maravilhosos e vê-los nos nossos fanzines também. De uma criatividade e um talento nunca igualados, Cecília sempre foi mágica com as letrinhas. Uma mulher muito bonita, de olhos brilhantes, que tem dois filhos lindos que conheci quando crianças, e uma batalhadora na vida, no underground, corajosa e que nada conseguiu derrubar, aí vai um pouco de sua história, contada por ela mesma.

CECILIA FIDELLI.




Só posso copiar e colar o carinho e atenção que recebi de Cecília como forma de gratidão pela nossa amizade do passado e da atenção, generosidade e carinho do presente:


MUITA PAZ E MUITA POESIA EM SUA VIDA, CECILIA FIDELLI!



No tempo em que os fanzines eram de papel e as letrinhas como as de bula de remédio, ela era presença obrigatória e solicitada em todos os fanzines, fossem de que estilo fossem, e nos nossos mais ainda.








Poetisa e editora dos informativos alternativos culturais  REVIRAGITA POESIA E LETRA VIVA, pertence a várias instituições culturais do país, tem poemas e artigos publicados em diversos jornais do Brasil, participação em várias coletâneas e como convidada especial em livros de poesia de poetas amigos.
   PREFACIOU O LIVRO - POEMAS DOMADOS SOB O SIGNO DA LUA, Do jornalista brasiliense Anand Rao. Teve muitas publicações independentes com o apoio da infelizmente já extinta SOCIEDADE DOS POETAS  ALTERNATIVOS - SP - 

 RECEBEU MUITAS HOMENAGENS E PRÊMIOS COMO:

- A POETISA DESTAQUE DO UNDERGROUD BRASILEIRO EM 98, 99 E 2.000

Tem mais:

COISA NOSSA E LOGO EM SEGUIDA, CORES DA ALMA, COM


ALGUMAS POESIAS, MUITOS POEMAS E VÁRIAS CITAÇOES.


SONHO - R E A L I Z A DO !


Em suas palavras:


ADQUIRÍ COM ISSO, UM POUQUINHO DE

AMADURECIMENTO.

DIRIA QUE SUBI MAIS UM DEGRAUZINHO.

SOB A INFLUENCIA DE POETAMIGOS QUE NUNCA

ME ABANDONARAM, CHEGUEI AO ORKUT.

AFINAL, HAVIA PERDIDO MUITOS CONTATOS

PRA INTERNET.

ENTAO ME RENDÍ.

SABE, COM A IDADE A GENTE VAI FICANDO MAIS

BOAZINHA, MAIS COMPREENSIVA, MAIS

TOLERANTE.

MAS, MESMO ASSIM, HOJE SOU MAIS ZINEIRA QUE

POETA. ME IDENTIFICO COM A GALERA DA MÚSICA,

COM OS DESENHISTAS, QUADRINISTAS... DO QUE

COM A POESIA PROPRIAMENTE DITA.

EU SOU DO TIPO QUE NAO PRECISA DE UM TEMA

PRA ESCREVER. , ,MAS, DE UM MOTIVO.

É ISSO.

MAIS UMA PÁGINA ESCRITA. MAIS UMA ETAPA VENCIDA.

MAS, CONTINUO SEMPRE EM BUSCA DE NOVAS LUZES.

HOJE, AS LONGAS SENTENÇAS SOBRE INJUSTIÇAS

TRANSFORMARAM-SE.

HOJE, PASSO MAIS PERFUME AOS NARIZES ALHEIOS.

MAS, DE QUALQUER MODO, AINDA NAO SOU UM REDUTO

DE LIRISMO.



NOS MEUS ÁLBUNS DO ORKUT SOB OS TÍTULOS - REVIRAGITA

POESIA 1 E 2, VOCE PODE SABER MAIS SOBRE MIM.



COMO NAO TENCIONAVA LUCRO, E A RECEPTIVIDADE FOI

MUITO BOA, LOGO SE ESGOTARAM.

ENVIEI EXEMPLARES PRA VÁRIAS INSTITUIÇOES CULTURAIS,

BIBLIOTECAS, ETC...

FIQUEI, POR MOTIVOS QUE NAO VEM AO CASO, AFASTADA

DO MEIO POÉTICO POR 8 ANOS APROXIMADAMENTE.

NESSE PERÍODO ME DEDIQUEI EXCLUSIVAMENTE AO

ARTESANATO. UM OUTRO ATO, UMA OUTRA ARTE E À

MUITA LEITURA SOBRE ESPIRITUALIDADE E ANIMAIS.

FUI ATIVISTA CULTURAL DE 89 A 2005.

NESSA TRAJETÓRIA, O MAIS SIGNIFICATIVO FOI O

ALTERNATIVO CULTURAL REVIRAGITA POESIA, QUE

EDITAVA, SEMPRE OBJETIVANDO VALORIZAR E

DIVULGAR A ARTE INDEPENDENTE PRODUZIDA EM

NOSSO PAÍS. DE NORTE A SUL, DE LESTE A OESTE,

O REVIRA CIRCULOU VIA POSTAL.

TINHA PERIDIOCIDADE INCONSTANTE.

AS VEZES SAIA UMA VEZ POR MES, OUTRAS, UMA

VEZ POR SEMANA...

COM MATÉRIAS INFORMATIVAS, NUNCA CRÍTICAS,

E NA BASE DA XEROX.

MUITOS ARTISTAS DE TODOS OS SEGMENTOS POR

ALI DESFILAVAM.


Deixei apenas estes dois poemas dos milhares que ela escreve e são maravilhosos por terem mais a ver com o meu momento bipolar sabor campari, vermelho, amargo mas irresistível para alguns, que eu odeio, mas não encontrei materialização melhor.




NUM CAFÉ, PREPARO SONHOS AMARGOS.

AÇUCAR NA XÍCARA...

AOS PULMÕES, CIGARROS.

À ALMA, SENTIMENTOS TRISTES

POR MEUS IRMÃOS EGOÍSTAS,

QUE NÃO CONSIGO PERDOAR.

NUM CAFÉ, PREPARO SONHOS AMARGOS.

MUITAS VEZES, O FUNDAMENTAL

É JULGAR.



sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Quem foi Joacy Jamys?

Continuando a minha arenga de homenagear as pessoas deletadas do underground (é, isso é possível, o meio alternativo é ainda mais corporativo, misógino, ambicioso, interesseiro e elitista) vou começar pelos que já estão no olimpo, já que eu estou aqui fazendo hora extra e esperando a sineta anunciando a liberação deste mundo ganacioso onde só os altos SDS(*) sobrevivem. Imagine se nós, os ainda vivos, não somos lembrados, os que já se foram então...

                                      JOACY JAMYS
(9/10/1971 - 5/12/2006)


Seu fanzine se chamava LEGENDA (se eu não me engano).
Lembro que quando chegavam as dezenas de fanzines eu já perguntava: tem alguma coisa do James (igual 007 mesmo) neles?

Um cartunista, chargista, http://joacyjamys.zip.net/ felizmente muito elogiado no meio fanzinístico, na época em que se começou uma espécie de griffe de fanzine: se o seu não tivesse na capa desenho de bons cartunistas já muito divulgados e conhecidos pelos outros fanzineiros, era jogado numa caixa sem ao menos ser lido (mas trocava com os deles). E ele caiu nas graças deste povo e foi muito admirado, e felizmente era talentoso mesmo. Muitos garotos, ao iniciarem o curso de jornalismo, entre outros, fizeram o caminho inverso da maioria, que ao entrar na faculdade passa a se julgar um Einsten, o Stephen Hawking  tupiniquim, prestes a arrecadar uma fortuna maior que a do Bill Gates e desprezar e humilhar os antigos conhecidos e os da cultura alternativa (aquela que não precisa de certificado mas de talento natural). Estes garotos se inspiraram em Joacy para divulgarem e criarem ainda mais.
Mas isso não foi tudo: foi designer, escritor, tradutor, artista gráfico, ativista cultural e político e vocalista de três bandas punk/hardcore: Estrago, Terror Terror! e Última Marcha. Com esta última gravou seis CDs, tocou no exterior e construiu uma sólida carreira na cena underground do Maranhão, estado onde viveu desde os 14 anos, apesar de ser carioca . Recebeu prêmios, fez exposições no Brasil todo e no exterior, foi indicado para o Prêmio HQ Mix de 2006 como autor revelação e como melhor site.
Faleceu vítima de um aneurisma cerebral, havia feito coincidentemente o mesmo que eu indo se isolar no meio do mato. Estava superando a depressão quando o perdemos. mas sua amada memória continua viva.


Seu talento e a admiração que recebia podem ser avaliados nesta foto, creditada a este blogger http://ricardosantoscontraponto.blogspot.com/ que eu não tive o prazer de conhecer nem por fanzine, mas agradeço imensamente:




SDS - saldo disponível para saque acima de 9 dígitos.

domingo, 15 de agosto de 2010

Em baixo do tapete da história

Este post terá umas trezentas continuações até que eu me encha e encontre outros motivos para entreter as pessoas que, entediadas, vem parar nesta página.
Recentemente, como já critiquei aqui, várias pessoas incríveis, geniais, criativas, batalhadoras e que ainda se encontram neste planeta tão bem descrito por Allan Kardek (ou outro espírita) como uma sublime colônia de espiação de karmas passados. Só que na verdade aqui é o rascunho do inferno, local para onde Lúcifer, Satã e Mefistófeles mandaram todos aqueles adeptos da megalomania, e às vezes por engano mandam uns Ac Dc, Motörhead, Sex Pistols, a maioria na família biológica, vizinhos, colegas ''amigos'', mas vamos a minha questão de hoje.
Que tamanho descomunal teria o tapete da história... com tanta gente varrida ali pra baixo
(continua qualquer dia...)